Território das Mãos

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Em Pernambuco, os caminhos da escultura popular nos levam a territórios ricos em significados e visualidades. Lugares onde artistas transformam com suas mãos o barro, a madeira, a pedra e todo o tipo de matéria prima disponível em sua região. Criam obras que revelam aspectos do imaginário e temas comuns da vida social, tais como a religiosidade, histórias e costumes do lugar onde vivem. Percorrer esses caminhos permite abrir portas para a percepção de signos e códigos visuais que nos levam a vivenciar experiências estéticas e nos enviam a diversos campos de saberes, sejam culturais, artísticos, históricos ou sociais.
 
Como uma arte que se renova, a escultura popular pernambucana continua a ser feita na contemporaneidade abordando temas atuais, como as relações do homem com o trabalho, com a indústria, questões de gênero e relações de convivências com o espaço urbano e o meio ambiente. Dos mestres, que criaram as tradições e as deixaram como heranças aos seus discípulos, até os novos artistas que dão sequência a esse processo de criação, a escultura popular se revela um precioso universo que vai se transformando em cada região do Estado. Nessa cartografia, a escultura – matéria encantada pelas mãos do artista – vira linguagem que comunica e ultrapassa fronteiras culturais, sociais e econômicas, aproximando públicos distintos.
 
O projeto cultural Território das Mãos nasceu com a intenção de conhecer os caminhos que traçam o mapa da atual escultura popular pernambucana. Realizado com incentivo do FUNCULTURA (Edital 2011/2012), o projeto percorreu, ao longo de oito meses, as quatro macrorregiões do Estado: Região Metropolitana (Recife, Olinda, Jaboatão e Igarassu); Zona da Mata (Goiana e Tracunhaém); Agreste (Caruaru, Belo Jardim, Garanhuns, Jupi e Buíque) e Sertão (Petrolina). A pesquisa visitou ateliês, centros de artesanatos, realizou entrevistas, registros fotográficos e registros em vídeo, mapeando 125 escultores nesses doze municípios.
 
Os escultores mapeados foram selecionados por apresentarem uma técnica e domínio artesanal nato ou por terem relações com heranças das tradições familiares regionais. Muitos desses artistas já participam com seus trabalhos de centros de artesanatos e feiras, enquanto que outros ainda conquistam seus lugares no circuito da arte popular. Conhecer o universo de crenças, valores, significados e a perspectiva dos artistas envolvidos foi fundamental para perceber o sentido do termo popular contemporâneo não apenas como um conjunto de legados culturais, mas também ligado à complexidade dos tempos de hoje, seus temas e as novas matérias primas.
 
Com a intenção de fortalecer e divulgar a atual escultura popular pernambucana de forma ampla e acessível, o projeto Território das Mãos apresenta como resultado dois caminhos: 1) um blogterritoriodasmaos.wordpress.com -, onde é possível encontrar fotos, vídeos das entrevistas e informações dos artistas, que permite através do acesso pela internet a aproximação de públicos de lugares diversos; 2) um material gráfico em formato de folder, com distribuição gratuita em pontos de cultura e educação, que apresenta o mapeamento realizado, informações dos lugares e os contatos de todos os artistas entrevistados. Com isso, o projeto pretende contribuir com o patrimônio material e imaterial de Pernambuco, abrindo caminhos que revelam a produção local para muito além das fronteiras do Estado.
 
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